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Até quando os advérbios JÁ e AINDA associados ao casamento?

Seguindo a grande paixão que sempre tive pela língua portuguesa, quer me parecer que a utilização dos advérbios de tempo JÁ e AINDA pressupõe uma realidade que é inevitável, obrigatória ou, pelo menos, devida.  O exemplo mais claro é o da morte.Não existe nada mais inevitável do que a morte e, assim sendo, sabemos que de velho ninguém passa.  É portanto tão natural, seguindo esta ordem de ideias, ouvirmos alguém perguntar "Então, os seus bisavós? AINDA são vivos?" como ouvir como resposta "O meu bisavô JÁ morreu, a minha bisavó é que AINDA é viva". Um diálogo perfeitamente natural, pela ordem natural das coisas, da vida.
Os mesmos advérbios podem também, a meu ver correctamente  ser usados quando ambas as pessoas sabem que uma determinada acção é obrigatória ou devida. Parece-me normal ouvir uma pessoa perguntar a outra "Então, JÁ entregaste a declaração do IRS?"  ou "JÁ pediste desculpa ao Zé?" ... Ambas as perguntas fazem sentido, tal como faz…

Fotografias de crianças publicadas, sim... Desde que não seja nas redes sociais? Mas qual o sentido disto ?

A notícia sobre a jovem austríaca que processou os pais por terem, durante anos, publicado fotografias suas no Facebook e se terem recusado a apagá-las,  obrigou-me a reflectir sobre o assunto.

Para deixar as coisas arrumadas e claras quero esclarecer que, neste caso específico, estou a favor da rapariga, tendo em conta que os pais insistiram em manter as fotografias, depois da filha lhes ter pedido várias vezes que as apagassem.  Acho, no entanto, excessivo levantar um processo aos pais por esse motivo, mas isso está internamente ligado com aquilo de que vou falar a seguir.

Vi várias vozes se levantarem contra esses pais que, tal como outros que publicam fotografias dos filhos no Facebook, deviam ser imediatamente queimados na fogueira . É o que se depreende de comentários tão inflamados. Afinal, em algumas fotografias a criança até estava nua e na sanita!  Autêntico chamariz para pedófilos, diziam alguns comentários. Fiquei a saber que em alguns países publicar fotografias de crianç…

O sentimento de impotência.... E vidas que valem a pena

É um bocado difícil falar sobre este sentimento sem expor um pouco da minha vida pessoal. Mas quem me conhece sabe que me auto-destrui com um casamento que estava, à partida, condenado ao fracasso e que só com um grande esforço meu (que me destruía mais a cada dia que passava) durou tanto tempo. Tive de deixar tudo e sair com a roupa que tinha no corpo e a metade da alma que me restava.  É com ajuda do Estado que tenho estado a recomeçar. Agradeço. E muito. Mas confesso que estou farta de viver assim. Não foi nada disto que sonhei para a minha vida.  Estou completamente farta de uma vida de submissão, em que dependo de ajudas, sem ser, na verdade dona do meu próprio nariz. O sentimento de inutilidade é o pior dos martírios...

Mas adiante, que já me alonguei demais em auto-comiseração barata.  Esse sentimento de inutilidade agudizou-se nas últimas semanas quando vi o meu país a arder, com um dos principais focos na zona onde vivo. Vi dor. Vi angústia. Vi medo. Vi revolta. Vi preocupaçã…

Antes só que mal acompanhado seria um bom título, mas é cliché

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Ao contrário do que possa parecer, não sou muito de expor as minhas emoções pessoais . Quando rebenta alguma, é quando já ficaram milhares por rebentar... E para rebentar é porque a pancada foi mesmo forte.... Mas não vou, afinal, falar só em mim, mas no geral, partindo apenas de mim como exemplo....

Ontem uma profissional de serviço social perguntava-me se já tinha feito amizades nestes MENOS DE seis meses que estou a viver nesta cidade. Respondi-lhe que já havia pessoas com quem me dava bem, com quem conversava, mas que não podia considerar ainda grandes amizades, o que achava normal, tendo em conta que estou cá a viver há pouco tempo. Não psreceu gostar da resposta e disse que essas coisas têm que ser trabalhadas, que a pessoa tem que fazer o seu trabalho nesse sentido, pois uma pessoa sozinha numa cidade, se um dia se sentir mal não tem a quem recorrer, a menos que tenha amigos que a ajudem.... Perguntou mesmo a quem recorreria se me sentisse mal.... Confessei mesmo a verdade &quo…

A revolução foi necessária e bonita... Era bom que não estragassem tanto esforço...

Era uma miúda de cinco anos a brincar num pequeno quintal e pouco caso fiz quando o meu pai chegou para almoçar e a minha mãe lhe perguntou, assustada: "Então e agora??? Vamos andar em guerra?"... Só retive isto, nem me recordo da resposta do meu pai. Mas provavelmente terá sido qualquer coisa na ordem do "As mulheres não se metem nisso...."

Nos dias que se seguiram só se ouvia a só se ouvia a palavra LIBERDADE, nas poucas televisões que já havia na rua entoava um grito "O povo unido jamais será vencido"...  Imagens de cravos vermelhos lindos transmitiam uma ideia de alegria, de felicidade....

Percebi desde cedo que os meus pais não gostavam lá muito daquela alegria. Não compartilhavam lá muito daquelas ideias de liberdade... O meu pai nem parecia permitir que a minha mãe se interessasse muito pela matéria... Não lhe convinha muito... Às mulheres, tal como aos criados, não se deve dar muita abertura... Senão.... Acontecia o que estava à vista.

Ainda não …

Um bem haja ao Papa Francisco

Dedico este post ao Papa Francisco. Confesso que me agrada bastante a postura deste novo chefe máximo da Igreja Católica Romana.  Confesso que esta abertura, esta mudança de mentalidade me transmite a ideia de esperança. Me faz acreditar que ainda há alguma consciência por parte de quem tem, de certa forma, onfuturo do mundo nas mãos.

Não sou uma pessoa religiosa. Não consigo ser.  Por mais do que uma vez ao longo da vida tentei. Não dá. Não funciona. Poderá, eventualmente, tratar-se de uma falha minha. Ponho essa hipótese. Por essa razão, não me considero ateia, mas agnóstica.

Acho que tal como na questão da sexualidade, ser religioso não é uma questão de opção, mas de orientação. Uma questão de natureza. Ou se nasce religioso ou não se nasce. E nada na minha natureza, na minha forma de ver, sentir e interpretar o mundo me dá o mais leve indício da existência de Deus.

Prefiro dizer a verdade a me encostar à bengala do "sou católico não praticante". Não, não sou católica. Ne…

Quando as coisas não aconteceram, nem se pensa que podiam ( efectivamente) ter acontecido...

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Faz hoje 15 anos que uma tragédia deixava o país em estado de profundo choque. A ponte de Entre-os-Rios caiu. 59 pessoas perderam a vida. 36 corpos nunca foram encontrados. A dor e o luto eram evidentes nos rostos das pessoas. Ninguém ficou indiferente.

Além de ninguém ter ficado indiferente, também ninguém encolheu os ombros e disse simplesmente que tinha sido o azar, o destino. Toda a gente se agitou à procura de culpados . Já nada havia a fazer por aquelas pessoas, mas havia que punir os culpados. Afinal, um relatório datado de 1986 alertava para uma fragilidade considerável no quarto pilar da ponte e nada tinha sido feito.

Tudo isto gerou uma onda de indignação que levou à demissão  de várias pessoas com cargos de responsabilidade, incluindo do então Ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho. Isto sem contar com os insultos de que foram vítimas Jorge Sampaio e António Guterres quando visitaram o local.

O julgamento dos arguidos só começou cinco anos depois e ninguém foi condena…