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O sentimento de impotência.... E vidas que valem a pena

É um bocado difícil falar sobre este sentimento sem expor um pouco da minha vida pessoal. Mas quem me conhece sabe que me auto-destrui com um casamento que estava, à partida, condenado ao fracasso e que só com um grande esforço meu (que me destruía mais a cada dia que passava) durou tanto tempo. Tive de deixar tudo e sair com a roupa que tinha no corpo e a metade da alma que me restava.  É com ajuda do Estado que tenho estado a recomeçar. Agradeço. E muito. Mas confesso que estou farta de viver assim. Não foi nada disto que sonhei para a minha vida.  Estou completamente farta de uma vida de submissão, em que dependo de ajudas, sem ser, na verdade dona do meu próprio nariz. O sentimento de inutilidade é o pior dos martírios...

Mas adiante, que já me alonguei demais em auto-comiseração barata.  Esse sentimento de inutilidade agudizou-se nas últimas semanas quando vi o meu país a arder, com um dos principais focos na zona onde vivo. Vi dor. Vi angústia. Vi medo. Vi revolta. Vi preocupaçã…

Antes só que mal acompanhado seria um bom título, mas é cliché

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Ao contrário do que possa parecer, não sou muito de expor as minhas emoções pessoais . Quando rebenta alguma, é quando já ficaram milhares por rebentar... E para rebentar é porque a pancada foi mesmo forte.... Mas não vou, afinal, falar só em mim, mas no geral, partindo apenas de mim como exemplo....

Ontem uma profissional de serviço social perguntava-me se já tinha feito amizades nestes MENOS DE seis meses que estou a viver nesta cidade. Respondi-lhe que já havia pessoas com quem me dava bem, com quem conversava, mas que não podia considerar ainda grandes amizades, o que achava normal, tendo em conta que estou cá a viver há pouco tempo. Não psreceu gostar da resposta e disse que essas coisas têm que ser trabalhadas, que a pessoa tem que fazer o seu trabalho nesse sentido, pois uma pessoa sozinha numa cidade, se um dia se sentir mal não tem a quem recorrer, a menos que tenha amigos que a ajudem.... Perguntou mesmo a quem recorreria se me sentisse mal.... Confessei mesmo a verdade &quo…

A revolução foi necessária e bonita... Era bom que não estragassem tanto esforço...

Era uma miúda de cinco anos a brincar num pequeno quintal e pouco caso fiz quando o meu pai chegou para almoçar e a minha mãe lhe perguntou, assustada: "Então e agora??? Vamos andar em guerra?"... Só retive isto, nem me recordo da resposta do meu pai. Mas provavelmente terá sido qualquer coisa na ordem do "As mulheres não se metem nisso...."

Nos dias que se seguiram só se ouvia a só se ouvia a palavra LIBERDADE, nas poucas televisões que já havia na rua entoava um grito "O povo unido jamais será vencido"...  Imagens de cravos vermelhos lindos transmitiam uma ideia de alegria, de felicidade....

Percebi desde cedo que os meus pais não gostavam lá muito daquela alegria. Não compartilhavam lá muito daquelas ideias de liberdade... O meu pai nem parecia permitir que a minha mãe se interessasse muito pela matéria... Não lhe convinha muito... Às mulheres, tal como aos criados, não se deve dar muita abertura... Senão.... Acontecia o que estava à vista.

Ainda não …

Um bem haja ao Papa Francisco

Dedico este post ao Papa Francisco. Confesso que me agrada bastante a postura deste novo chefe máximo da Igreja Católica Romana.  Confesso que esta abertura, esta mudança de mentalidade me transmite a ideia de esperança. Me faz acreditar que ainda há alguma consciência por parte de quem tem, de certa forma, onfuturo do mundo nas mãos.

Não sou uma pessoa religiosa. Não consigo ser.  Por mais do que uma vez ao longo da vida tentei. Não dá. Não funciona. Poderá, eventualmente, tratar-se de uma falha minha. Ponho essa hipótese. Por essa razão, não me considero ateia, mas agnóstica.

Acho que tal como na questão da sexualidade, ser religioso não é uma questão de opção, mas de orientação. Uma questão de natureza. Ou se nasce religioso ou não se nasce. E nada na minha natureza, na minha forma de ver, sentir e interpretar o mundo me dá o mais leve indício da existência de Deus.

Prefiro dizer a verdade a me encostar à bengala do "sou católico não praticante". Não, não sou católica. Ne…

Quando as coisas não aconteceram, nem se pensa que podiam ( efectivamente) ter acontecido...

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Faz hoje 15 anos que uma tragédia deixava o país em estado de profundo choque. A ponte de Entre-os-Rios caiu. 59 pessoas perderam a vida. 36 corpos nunca foram encontrados. A dor e o luto eram evidentes nos rostos das pessoas. Ninguém ficou indiferente.

Além de ninguém ter ficado indiferente, também ninguém encolheu os ombros e disse simplesmente que tinha sido o azar, o destino. Toda a gente se agitou à procura de culpados . Já nada havia a fazer por aquelas pessoas, mas havia que punir os culpados. Afinal, um relatório datado de 1986 alertava para uma fragilidade considerável no quarto pilar da ponte e nada tinha sido feito.

Tudo isto gerou uma onda de indignação que levou à demissão  de várias pessoas com cargos de responsabilidade, incluindo do então Ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho. Isto sem contar com os insultos de que foram vítimas Jorge Sampaio e António Guterres quando visitaram o local.

O julgamento dos arguidos só começou cinco anos depois e ninguém foi condena…

O cartaz do Bloco de Esquerda e a confusão de algumas pessoas sobre o significado de liberdade de expressão

Durante dias não se falou de outro assunto: o cartaz do Bloco de Esquerda com o slogan " Jesus também tinha dois país" dominou serviços informativos televisivos, capas de jornais, redes sociais, conversas de café e por aí fora. Parecia não haver outro assunto.  Via-se comentários completamente inflamados a afirmar que o referido cartaz constituía  uma afronta à Igreja. Havia outros menos inflamados, mas que também contestavam o cartaz. E depois havia os comentários das pessoas que afirmavam que achavam muito bem , pois pegar pela religião é uma forma eficaz de captar a atenção das pessoas e atingir os sentimentos. Essas pessoas, censuravam ainda quem criticava o cartaz perguntando onde estavam as pessoas que há um ano atrás , em defesa da liberdade de expressão, gritavam "Je suis Charlie ". Algumas das que contestavam o cartaz ainda respondiam que jamais tinham sido desses que tinham gritado tal coisa.

Parece-me que há  grandes confusões na cabeça de certas pessoas…

Alguém disse que a eutanásia já se prática. Quem? Um pedreiro? Um advogado? Não! A bastonária da Ordem dos Enfermeiros....

A forma como as pessoas abrem a boca aparentemente sem antes medirem as consequências daquilo que vão dizer é algo de extremamente impressionante.

Numa altura em que tanto se adverte as pessoas para que tenham o máximo de cuidado com o que publicam nas redes sociais, para que pensem bem antes de abrir a boca quando estão fora das suas quatro paredes, para que ponderem sobre as consequências que poderão advir das suas declarações públicas, ainda acontecem coisas que me deixam de boca aberta, tendo em conta o estatuto das pessoas de quem partem.

Então vai uma bastonária da ordem dos enfermeiros para os estúdios da Rádio Renascença afirmar que a eutanásia já se pratica em Portugal no Serviço Nacional de Saúde? Que já ouviu médicos sugerirem a administração de uma overdose de insulina a fim de provocar um estado de coma irreversível e, consequentemente, a morte do doente??

Pelos vistos, sim. Pelos vistos, isto efectivamente aconteceu. A senhora efectivamente , durante uma entrevista na re…